5 de junho de 2013

Dia cinco de junho


Todos nós gostamos de datas para nos lembrarmos de algo ou de alguém. Contudo, percebemos que algumas dessas datas são meramente comerciais, outras são puramente emocionais, mas outras estão se transformando em absolutamente fundamentais.
No dia cinco de junho, comemoramos o dia mundial do Meio Ambiente.
Deveria ser uma oportunidade especial de comemoração pela dádiva de compartilharmos um espaço que nos dá o ar, a água e a terra, onde poderíamos viver em sintonia com o nosso presente, e com tranqüilidade em relação ao futuro de nossas futuras gerações.
No entanto, no contexto atual, e em qualquer parte do mundo, hoje é somente uma data que serve como um preocupante alerta para um futuro que corre sério risco de não existir.
O discurso ambíguo dos líderes sugere a preservação, porém suas atitudes evidenciam um desenvolvimento não sustentável.
As empresas se preocupam em preservar sua reputação, porém a falta dela se contagia pelas suas cadeias de valor.
Os governos fazem propaganda sustentável, mas sua base de argumentação está fundamentada em projetos de poder.
E os cidadãos não estão sensibilizados sobre a fragilidade de sua própria preservação, pois sua educação ambiental sequer atingiu o nível mínimo necessário de conscientização.
Nesse estado de coisas, nos restaria somente assistir a uma sequência das evidências de um processo que certamente nos levará à nossa própria extinção.
Esse pequeno artigo poderia terminar aqui. Um final lacônico e pessimista (ou seria realista?).
Mas essa não é a natureza humana, pois nada é melhor do que considerar o grande risco como a melhor das oportunidades.
Por isso, acredito na ideia que converteu a palavra sustentabilidade numa competência essencial para as lideranças do presente e do futuro.
Acredito na ideia de um equilíbrio real entre as perspectivas econômicas, sociais e ambientais.
Fico surpreso e feliz quando vejo crianças de baixa renda ensinando conceitos de reciclagem dos materiais para seus incrédulos pais.
Enfim, acredito que pequenas mudanças de comportamento poderão nos levar a escolhas definitivas, que alinhadas à ciência, à tecnologia, à inovação, às futuras políticas públicas, e principalmente a líderes de valor, transformarão essa simples data, em algo que realmente mereça comemoração.

25 de maio de 2012

Dilemas e contradições


Durante uma visita a uma importante empresa, eu falava entusiasmado sobre minha visão em relação à internalização da sustentabilidade nas organizações.
Eu também não poderia perder a chance de enfatizar a importância quando esse processo ocorre em empresas daquela dimensão.
Foi uma reunião muito rica, com várias intervenções, onde certamente dei o melhor de mim, e aprendi muito também.
Logo ao terminar, vi uma pessoa de expressão madura e muito séria, até então imóvel, que pediu a palavra.
Não demorei a perceber que se tratava de uma liderança técnica importante, e seu depoimento colocou algumas dúvidas sobre minha abordagem, que buscava integrar os principais fundamentos da sustentabilidade aos objetivos dos negócios.
Decididamente, ele não se convencia de que “somente” atitudes, engajamento, relacionamentos, equilíbrio, e competências essenciais pudessem retirar seus trajes de palavras bonitas, e traduzir os reais dilemas que tem uma organização quando trata de vender seus produtos e serviços no mercado.
Ainda mais quando a sua valiosa marca significasse simultaneamente: um alto valor agregado à sociedade, mas também um indesejável impacto negativo ao meio ambiente.
É dessa contradição, que meu interlocutor reclamava e com razão.
Embora seu trabalho fosse justamente a pesquisa para a sustentabilidade, ele sabia que a melhor alternativa para uma solução definitiva talvez fosse, ironicamente, a extinção do principal produto de sua empresa.
Acredito que ele até esperasse por um inédito argumento. Algo que, como num passe de mágica, mudasse o valor das coisas, e evidenciasse cientificamente que os impactos negativos de tanta tecnologia, se transformassem em algo bom para a humanidade.
E eu, com todo meu entusiasmo, defendia coisas que se materializavam somente como ingênuas compensações, ou palavras adequadas e enganosas.
Em minha opinião, por uma perspectiva específica, ele estava coberto de razão.
Quando inovamos, e criamos desejadas soluções para problemas antigos, beneficiamos milhões de pessoas. Contudo, e inevitavelmente, corremos um alto risco de impactar ainda mais nosso planeta.
Esse lugar comum é a clássica contradição da definição de sustentabilidade, e isso o incomodou.
A má notícia é que os dilemas da “cura com veneno”, do “bem que faz mal”, não nos deixarão assim tão facilmente. As tendências otimistas não escaparão do ceticismo em relação a um desejado cenário de equilíbrio no futuro de longo prazo.
E assim, os profetas pessimistas não terão dificuldades para nos convencer sobre os riscos do provável fim do mundo. Eles proliferarão.
Além disso, cada vez mais, valorizaremos a destruição da natureza como um mal necessário, usaremos a ciência e a tecnologia para o bem e para o mal numa mesma escala, buscaremos o poder e a riqueza material a qualquer custo, e enfim, fingiremos que somos donos do mundo.
Nesse contexto, as empresas viverão cada vez mais o desafio de sua própria sobrevivência e a busca alucinada por lucros, proporcionalmente à pressão crescente de suas partes interessadas.
Isso não é nada diferente do que sempre foi desde o princípio dos tempos.
A diferença é que agora já sabemos o que é a ética e a transparência, já conseguimos destruir dogmas intocáveis no passado, somos chamados a assumir compromissos reais em relação a valores e princípios universais, e ainda somos valorizados por isso.
Com isso, temos condições de mudar nossa atitude, mesmo que ainda contaminada pela inércia anterior, e podemos evoluir para modelos nunca antes imaginados.
Seguiremos transformando lixo em matéria prima valiosa, até que os novos processos não o gerem mais. A ciência descobrirá novas soluções a partir de fontes renováveis dos mais diversos materiais, movidas por energias cada vez mais limpas.
A educação fará com que os jovens do futuro não destruam, pois simplesmente não conseguirão imaginar a destruição.
Em algum momento, os políticos que abandonam as causas, e defendem o poder, não mais conseguirão sua reeleição. Eles perderão seus eleitores, pois estes inacreditavelmente acordarão de seu transe da ingenuidade e ignorância.
E os consumidores finalmente perceberão o poder de sua capacidade de escolha, e virarão as costas para marcas que vendem o bem, mas entregam algo que não agrega valor.
Meu sonho é que sejamos assim. Que acreditemos, embora nunca percamos a noção da dimensão desse desafio.
Que sigamos em frente, que tenhamos argumentos suficientes para convencer os céticos e pessimistas, e que ao invés de destruir, sejamos uma sociedade finalmente sustentável.

6 de março de 2012

A Região do Grande ABC e a Sustentabilidade




  “Atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de também satisfazerem suas próprias necessidades”. Esta é a definição mais conhecida do termo “Desenvolvimento Sustentável”. Ela materializa as ações e investimentos que todos nós precisamos fazer para alcançarmos a sustentabilidade em nosso mundo, em nossas cidades e, principalmente, em nossas vidas.

Mas como saber se estamos no caminho certo ou não?

Essa é uma pergunta muito difícil, pois falamos de um equilíbrio extremamente sensível e simultâneo de muitas coisas, cujos indicadores são consequentemente muito complexos.

Um dos indicadores mais conhecidos é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Trata-se de uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano". Dessa forma, é possível identificar os países desenvolvidos (muito alto desenvolvimento humano), os países em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e os países subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo).

Este índice tem como base os dados econômicos e sociais e a escala para se medir este índice é de 0 (nenhum desenvolvimento humano) à 1 (desenvolvimento humano total). Ele é utilizado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento, e pode servir para apuração do desenvolvimento de cidades, estados e regiões.

O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sem e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual.

A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB PPC (Paridade do Poder de Compra) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas.

A metodologia utilizada para se definir o IDH passou por mudanças a partir de um relatório divulgado pelo PNUD em Novembro de 2010. Uma das mudanças focou as fontes de alguns dados que eram utilizados para se definir o IDH, e outro fator que sofreu mudança foi o número de países e territórios analisados. No ano de 2010 foram analisados 169 países e no ano de 2011 foram analisados 187.

Devido a essas mudanças, as colocações dos países analisados também sofreram transformações, no ano de 2010 o Brasil ocupava a 73º posição e no ano de 2011 desceu para 84º posição. Embora o Brasil tenha perdido algumas posições e esteja atrás de outros países da América do Sul como o Chile, Argentina, Peru e Uruguai, sendo este último um dos países que vem mais crescendo no ranking, todos fazem parte da lista que inclui países com IDH alto.

Segundo o Relatório de 2011, o país com o maior IDH é a Noruega com a marca de 0,943, e o país com o pior IDH dentre os avaliados é a República Democrática do Congo, com o índice de 0,286.

Os dados utilizados no relatório mostram que o rendimento anual dos brasileiros é de US$ 10,162, e que a expectativa de vida é de 73,5 anos, a escolaridade é de 7,2 anos de estudo e a expectativa de vida escolar é de 13,8 anos.

O IDH também é utilizado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias. No ano de 2000 foram analisados 5.565 municípios do Brasil para formar o IDH – M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), e este indicador procura definir o nível de desenvolvimento dos municípios incorporando aspectos geográficos, econômicos e sociais.

Os dados utilizados no IDH – M ou IDM são provenientes das Secretarias de Estado ou de diversas instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Banco Central do Brasil (BACEN), Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e outros.

A cidade de São Caetano do Sul é a campeã com um IDH de 0,919, um valor de primeiro mundo. Santo André ocupa a 90ª posição com um IDH igual a 0,835. São Bernardo do Campo vem logo em seguida na 95ª posição com um IDH igual a 0,834. As seguintes são: Ribeirão Pires na 422ª posição com IDH igual a 0,807, Diadema na 792ª posição com IDH igual a 0,790, e finalmente Rio Grande da Serra na 1492ª posição com IDH igual a 0,764.

Mas afinal, o que significam essas informações para a sustentabilidade dessa região onde nasci, cresci, e permaneci? A resposta rápida é: tudo.

A região do ABC possui um dos maiores PIBs do Brasil, tendo 5 cidades entre as 100 cidades com o maior PIB do Brasil segundo o IBGE de 2010. (São Bernardo do Campo em 11° posição, Santo André em 29°, São Caetano do Sul em 40°, Diadema em 41° e Mauá em 77°)

Indo para 2,5 milhões de habitantes, a população usufrui de uma infraestrutura típica de uma região que tem a indústria como uma vocação, embora se modernize cada vez mais nos serviços que são oferecidos e, por outro lado, perca parte de suas empresas, que migram para outras regiões.

Além disso, é um dos mercados onde a construção civil cresce de maneira impressionante, e a paisagem urbana já se transforma num nascedouro incontrolado de novos arranha-céus, e num grande desafio para os gestores públicos no que se refere à logística urbana. Sair ou entrar nas cidades nos horários de pico já é um exercício de paciência tanto para os habitantes que trabalham em outras cidades, como para quem somente quer ir de lá para cá.

A proximidade com a metrópole São Paulo, e também com o maior porto do país, posiciona a região como uma potência de mercado.

A região é marcada por diversas sedes de montadoras, como Mercedes–Benz, Ford, Volkswagen, General Motors. Contudo o setor de serviços e também outros segmentos estão crescendo significativamente.

Pela perspectiva ambiental, a Represa Billings banha seis dos sete municípios da região; a exceção é São Caetano do Sul. E mais da metade (53,7%) da área de São Bernardo do Campo é de proteção aos mananciais.

Um indicador negativo indica que o ABC conta com apenas 20,8% de área com remanescentes da Mata Atlântica. Originalmente, o bioma dominava totalmente a região.

Enfim, sob uma perspectiva geral, estamos num pedaço de Brasil onde são diversos os sinais que indicam a presença da sustentabilidade, e em outros, a sua ausência.

Nesse cenário paradoxal, caberá aos nossos líderes públicos, privados e da sociedade civil, a responsabilidade de enfrentar os desafios já existentes, mas que serão ainda maiores, na medida em que o desequilíbrio social, o uso inadequado dos recursos naturais, a baixa ecoeficiência nos ciclos de vida de produtos e serviços, e as metas econômicas e financeiras de curto prazo, ainda fizerem parte de suas estratégias de gestão.

E isso somente será possível, se houver a fundamental incorporação de uma nova competência individual e organizacional, que fortaleça nosso espírito empreendedor, que nos torne mais resilientes, e nos transforme em agentes de mudança em prol de um Grande ABC cada vez melhor e mais sustentável.


Fontes: www.pnud.org.br, Wikipedia, IBGE
Apoio: Erika Kawati

27 de fevereiro de 2012

Seja o criador de seu próprio caminho



Ter controle total sobre o próprio destino, talvez seja pretensão demasiada. Mas, me incomodo muito com as pessoas passivas. Elas se parecem com barcos navegando a esmo pelo mar de suas próprias vidas.
Esperam desanimadas por um vento favorável, porém improvável. Temem pelas tempestades, que inevitavelmente virão. E ficam estáticas à espera do pior que se esconde atrás de uma simples e possível mudança.
E assim, o tempo passa, os ventos mudam de direção, as nuvens são vencidas por um novo e brilhante raio de sol. E o que parecia ser o final triste de um filme de lágrimas, é a oportunidade que se disfarça de medo, e se vai, transformada em desperdício e decepção.
Isso é ainda pior, quando acontece com jovens. Um enorme potencial que se acomoda em situações de soluções fáceis, sem desafios, e cheias de conforto imobilizador.
Tudo é uma grande perda, cujo agente gerador não tem a menor consciência do que realmente se perdeu.
Acredito não ser tarefa difícil identificar perfis com essas características em nossa rede de relacionamentos. Contudo, o grande desafio será ajudá-los a deixar esse estado de estagnação e conformismo, pela difícil escolha de enfrentar o grande inimigo que se encontra dentro deles próprios.
Desde que tomei consciência desse processo, principalmente em pessoas das equipes que liderei, busquei sempre um caminho que pudesse “acordá-las” para a realidade.
Tentei inúmeras possibilidades de choques, argumentos, ameaças, recompensas e, na grande maioria das vezes, fui vencido. Meu forte poder de influência se dissipava nas evidências de incapacidade involuntária das pessoas em cuidar de seu próprio destino.
O tempo foi passando também pra mim. E a sucessão de erros finalmente me ensinou, pouco a pouco, que eu dificilmente poderia motivar alguém a mudar.
Por outro lado, percebi que em algumas situações, onde minha interferência era infinitamente inferior, elas próprias se motivavam por razões muitas vezes ilógicas, e assumiam a partir de determinado momento, uma atitude de controle dos seus rumos. Enfim, tomavam propriedade da construção de seus próprios caminhos.
E então, justamente nesses momentos onde eu pouco pude aplicar das sofisticadas técnicas e fundamentos de liderança, e quando me senti um mero observador de movimentos até então inexistentes, paradoxalmente, foi quando me senti um verdadeiro líder.

8 de fevereiro de 2012

Corridas: Guia do iniciante



Aqueles que me conhecem há pelo menos dez anos sabem que meus esportes favoritos são as corridas de rua e as longas caminhadas.
Elas me proporcionam ainda hoje, e tomara que por bastante tempo, uma infinidade de bons momentos que nem sempre podem ser definidos como fáceis e confortáveis. Sendo franco, alguns deles foram verdadeiros desafios de resistência física e emocional, e exigiram de mim exercícios intensos de perseverança e mesmo teimosia.
Mas ao final das quinze maratonas, vinte e cinco meia-maratonas, e dezenas de provas de menor distância que totalizaram cento e oitenta no final do mês passado, vem sempre a mesma pergunta: qual será a próxima corrida?
Algumas delas me levaram a lugares bem distantes, paisagens maravilhosas, pessoas entusiasmadas, cujo incentivo foi dose exata da energia necessária para que eu alcançasse a linha de chegada.
Outras experiências me transportaram por caminhos históricos, cheios de mistérios e beleza. Estes períodos foram sabáticos repletos de oportunidades de autoconhecimento.
Mas, devo confessar que fui um autodidata, muitas vezes inconsequente, e se permaneço firme e forte, talvez seja pela capacidade desenvolvida de nunca ultrapassar meus próprios limites.
A troca de experiências com outros loucos como eu, muitas leituras, inúmeras pesquisas, e as orientações de legítimos profissionais foram certamente importantes.
Contudo, sempre busquei um texto que me pusesse novamente na linha de partida com as básicas orientações, que descobri somente com o passar do tempo, e das inúmeras lesões.
Pois não é que encontrei algo interessante numa banca de revistas.
O título é óbvio: GUIA DO INICIANTE – comece a correr agora (Revista Runner's World - edição especial nº 38).
Não tem o objetivo de ser perfeito, e é bem provável que receba críticas diretas de meus orientadores mais próximos. Mas, minha leitura imediata captou dicas úteis, e trouxe um desejo imediato de calçar meu velho par de tênis e sair pelas ruas.
Assim, decidi divulgá-lo a todos os que lêem meus textos para que saibam de sua existência.
Não tenho a expectativa que todos saiam correndo feito Forrest Gump. Mas seria interessante que uma leitura atenta provocasse a necessária  reflexão sobre a importância de colocarmos na agenda pessoal pelo menos um pouco de movimento.
Mas como disse o editor ao final de sua mensagem inicial: Chega de conversa, vamos correr.
Observação complementar: Caso uma eventual reflexão leve a alguma ação, é essencial que seja feita uma avaliação médica prévia. E, se for possível, que haja o suporte de uma assessoria esportiva competente. 
Por exemplo, eu estou com a http//www.loboassessoria.com.br 

25 de julho de 2011

Fazedor de Montanhas


Na sequência de cada expressão, de cada olhar e após cada um do diversos depoimentos e reflexões que compõem o ensaio-documentário “Fazedor de Montanhas” de Juan Figueroa, está sempre uma grande preocupação: o lixo.
O filme já começa com mendigos sendo retirados da rua e levados como “lixo comum” por um caminhão com conteúdo óbvio: o lixo.
Cenas absurdas são montadas sobre um aterro, ou à margem de um rio poluído da cidade grande, e expõem a ironia e a contradição existente naquilo que sobra depois do nosso consumo desenfreado: o lixo.
A questão é dissecada, esgarçada, e exposta à exaustão como uma grande e incurável ferida. Desde o mais singelo comportamento de desprezo pelo que é superficial, até o lixo em forma de personagem, que se materializa nas palavras emocionadas de uma ex-torturada. Felizmente, nesse caso, um lixo que volta a ser uma bonita pessoa, graças ao amor que recebe de seus amigos.
Leonardo Boff viaja pelo livro do Apocalipse, pela Teoria do Caos, e suas palavras refletem a sabedoria que a narrativa precisa para nos equilibrar nos passos lentos de um Jesus Cristo incrédulo, que abandona seus apóstolos à mesa da Santa Ceia, e caminha sobre toneladas de lixo, até encontrar um pedaço de pão. Jesus pára, se abaixa, resgata o pedaço de pão do meio daquela montanha bem diferente da outra que ficou conhecida em seu famoso Sermão. Jesus tira uma lasca daquele pão, e ao colocá-lo em sua boca, dá mais uma prova de seu amor por nós, mesmo em nossa forma mais destrutiva: o lixo.
Gostaria de comentar todas aquelas frases ditas por olhos que quase nunca olhavam para as lentes da câmera, mas minha consciência diz para não fazer isso agora.
Essas minhas palavras terão muito mais importância se forem fortes o suficiente para motivar os leitores para que assistam também a esse trabalho, e dele, tirem suas próprias conclusões.
Tenho visto bons materiais sobre a sustentabilidade, ou na maioria das vezes, sobre a falta dela. Mas poucos tiveram tanto impacto sobre mim quanto esse.
Daqui pra frente, não sei como vou enxergar os lixos que gero ao longo dos meus dias. Na verdade, não estou certo se irei aceitá-los. Não estou falando somente do lixo comum e inevitável que sobra de meu consumo. Estou falando das raivas que sinto, da tolerância que não tenho, dos meus ouvidos que não escutam, dos relacionamentos que não cuido, das minhas mãos que não afagam, do amor que não dou. Tudo isso e muitas outras coisas que, ingenuamente, me recuso a ver.
Afinal, como diz a mensagem principal do filme: O lixo é tudo aquilo que não queremos ver.

24 de abril de 2011

O prazer de correr


Acabo de ler o livro Do que falo quando falo de corrida”, do escritor japonês Haruki Murakami.
Este romancista, que também traduz obras famosas para o idioma japonês, prova na prática o quanto gosta de correr pelas ruas mundo afora.
Sua história que mescla empreendedorismo, vocação para escrever, prazer pelos desafios, uma forte perseverança, e várias outras facetas interessantes, é a evidência de que o ser humano pode ser bastante complexo, mas no final das contas, extremamente simples.
E é assim, que fica a minha percepção sobre este homem que me fez viajar pelo mundo através de suas múltiplas experiências em maratonas, corridas e triathlons. Trata-se de um exemplo de simplicidade.
Não sei se aprendi muito sobre as corridas propriamente ditas, mas sinto que aprendi muito sobre belas formas de viver a vida.
A cada capítulo, vinha aquela vontade inexplicável de calçar meu velho par de tênis e sair correndo por aí, ao som de boas músicas, como ele ainda faz nos seus dez quilômetros diários. Mas, mantive a minha rotina, fui mais devagar, e continuei a agradável leitura.
Quando narrava sua preparação para a maratona de Nova York, e eu a comparava com a minha própria experiência nessa corrida, vi que realmente sou muito menos que um atleta amador. Aliás, acho que sou um corredor turista.
Ou seja, uma pessoa que gosta de viajar, e se veste de atleta para justificar o investimento, como se isso fosse necessário.
Pensando bem, acho que isso não é uma má opção. Pois, se olho para trás, vejo que algumas de minhas melhores experiências pessoais incluem viagens em que o motivo principal era a participação numa maratona, mas que me trouxeram a oportunidade de viver muitas outras experiências ricas e inesquecíveis.
Belas paisagens, o convívio com culturas distintas, e o contato com novas pessoas, se tornaram um real e definitivo valor agregado à minha vida.
Hoje, sinto que já não sou tão jovem quanto penso, e a ficha que cai é uma luz amarela, um alerta para a necessidade de iniciar uma fase de maior cuidado com essa máquina que gosta de correr, mas que ama viver.
Durante muito tempo, após optar pela corrida de rua como a minha atividade esportiva principal, decidi que ela seria não somente o meu lazer, mas também a materialização de minha preparação física, e ainda a melhor alternativa para justificar as minhas melhores viagens.
Num aspecto, errei feio, e não foi por ignorância ou falta de aviso. Não me preparei para ser um corredor. Eu somente corri, imaginando que já me preparava.
E os efeitos dessa estratégia inadequada, dão sinais concretos em minhas articulações machucadas.
Espero que essa tardia conclusão, não me impeça de continuar viajando, ou melhor, correndo.
E meu objetivo nesse depoimento inspirado nas vivências do corredor escritor Haruki Murakami, é estimular os jovens que agora despertam para as corridas de rua, ou ainda os já convertidos e apaixonados pelo prazer de vencer distâncias como eu mesmo sei que sou, para uma reflexão que priorize todos os cuidados prévios possíveis em relação a hábitos saudáveis, uma boa alimentação, um calçado adequado, e todos os cuidados para a melhor preparação física possível.
Depois, é somente libertar os pés pelas ruas, os olhos pelas paisagens, a mente pelos pensamentos, e deixar que o vento nos leve à verdadeira vitória que está em cada simples chegada.

16 de abril de 2011

Pecados Verdes

Enquanto aguardo meu vôo num aeroporto qualquer, sigo distraído pelos corredores de uma revistaria.
Olhos que procuram as manchetes dos jornais e revistas, lembranças de última hora, títulos de livros, até que a foto de uma maçã verde mordida chama a minha atenção. Logo abaixo, o título indica uma pesquisa exclusiva com a frase: “Seus pecados verdes foram revelados”.
A leitura da revista Seleções do Reader’s Digest sempre foi pra mim um sinônimo de lazer. Textos rápidos, fatos pitorescos, e diversão garantida com a seção “Rir é o melhor remédio”, entre outras coisas. Mas dessa vez, a pesquisa traz dados interessantes sobre um tema que me é peculiar.
Durante minhas aulas, gosto de abordar a sustentabilidade como uma competência essencial individual, e sempre uso exemplos cotidianos para provocar os meus alunos, com o claro objetivo de ajudá-los a incorporá-la em seus perfis pessoais e profissionais, em prol de um mundo melhor.
A mensagem principal é sempre a mesma: As grandes mudanças, que fazem nosso planeta mais sustentável, ocorrem quando os simples cidadãos, individualmente, adotam hábitos conscientes que satisfazem suas necessidades, mas não impactam as gerações futuras, e sua capacidade de satisfazer suas próprias necessidades.
São atos simples, mas que quando incorporados ao nosso dia a dia, ganham poder de influência para uma disseminação ampla em toda a sociedade.
A pesquisa ouviu 2269 brasileiros, e buscou compreender o nível de entusiasmo sobre o que é bom para o meio ambiente.
99% dos entrevistados se identificaram como comprometidos com o meio ambiente, porém somente 23% demonstraram um real comprometimento.
Não houve surpresa ao saber que 94% se assumiram usuários de sacolas plásticas de supermercado, e que 72% se sentem mal ao usá-las. Mas chamou a atenção quando 17% o fazem como ato de rebeldia pró-plástico.
56% dos participantes da pesquisa jogam lixo no compartimento errado – quando jogam, pois no Rio de Janeiro, por exemplo, 40% do lixo recolhido vem das ruas.
96% deixam a torneira aberta ao escovar os dentes, 69% tomam banhos de mais de 4 minutos, e um em cada cinco confessa sentir um gosto de rebeldia ao tomar banhos mais demorados, ou mesmo ao tirar o carro da garagem para ir somente até a esquina.
Não vou continuar, pois meu objetivo não é discutir a amostra, a precisão, ou mesmo a qualidade da pesquisa. O que gostaria de fazer é uma singela reflexão sobre nossa incapacidade em compreender a importância de um processo de conscientização individual como a maior das armas que a sociedade possui na grande guerra pela sua própria sobrevivência. Uma guerra em que o maior inimigo é, surpreendentemente, ela mesma.
É inegável a importância das grandes corporações nessa questão. Tenho jogado mais da metade de minhas fichas na relevância de uma mudança de atitude das lideranças empresariais pela inclusão de uma co-responsabilidade socioambiental consistente na estratégia de condução de seus negócios.
Também acredito que governantes éticos, com sólidos valores e princípios, serão responsáveis por transformações extraordinárias, e que talvez desmintam as trágicas previsões dos realistas de plantão.
Mas toda essa mudança somente será possível quando uma educação adequada de nossas crianças, uma capacitação atualizada de nossos profissionais, e um engajamento pleno de nossos stakeholders, for suficiente para lapidar essa valiosa esmeralda que é a nossa cultura.

2 de janeiro de 2011

Barco social

Acompanho com curiosidade o que as pessoas postam nas redes e mídias sociais. E, enquanto escrevo, sei que também sou observado, analisado, e avaliado.
Alguns digitam qualquer coisa que lhe vem à cabeça, sem qualquer crítica prévia. Outros se contentam em compartilhar vídeos, frases e músicas que lhe trazem boas sensações. E há aqueles, que simplesmente espiam e se contentam em expor a sua própria solidão.
Mas há ainda muitos outros perfis na composição deste grande fenômeno virtual.
Não vale reclamar que era melhor o tempo em que as pessoas escreviam cartas e marcavam encontros nas praças ou botequins. Nem mesmo vale acreditar que o flerte e o namoro somente permanecem possíveis na tal vida real. Muito menos, é possível pensar que o bom negócio só se concretiza frente a frente com o cliente.
Hoje, a coisa é assim e pronto.
Será mesmo?
Conheço muitas pessoas que ignoram esse novo momento, que já não é novo.
Essa gente esquisita resiste bravamente, e ainda sobrevive ao que chamam de uma forma descontrolada de alienação, e nem percebem que se tornam, pouco a pouco, os próprios alienados.
Será mesmo?
Não estou bem certo.
Se algumas pessoas demonstram total incompatibilidade com os recursos de comunicação deste momento atual, outras se atualizam tanto, mas tanto, que se tornam escravas daquilo que somente deveria ser uma boa ferramenta, um acessório facilitador das coisas.
Não é raro, uma pessoa andar com dois telefones celulares, e pior que isso, falar nos dois ao mesmo tempo. Há até algumas com mais de dois telefones. Isso será possível? Sim, é.
Ou ainda, pessoas que postam mensagens nas redes sociais a cada dez minutos durante um dia inteiro. Isso será possível? Sim, é.
Por outro lado, há aqueles que ainda não incorporaram nada. Escritores que datilografam seus textos em velhas máquinas de escrever, seres alienígenas que ainda não sabem o que é Twitter, Facebook, Orkut e Linkedin.
Pessoas que nunca enviaram um SMS. Credo!
A boa notícia é, que se não existe um comportamento totalmente certo, tampouco existe o completamente errado.
Ninguém é totalmente alienado, e ninguém é completamente antenado.
E, se navegar é preciso, uma navegação equilibrada é a única que demonstra capacidade de nos conduzir ao porto seguro da integração.
Nem tão alheios, nem tão escravos desse novo e poderoso arsenal da comunicação.
E o acesso às informações mais relevantes, a capacidade de levar a própria mensagem a um número maior de pessoas, e o estabelecimento de relacionamentos com as pessoas que realmente importam, são os indicadores que podem nos orientar na construção sustentável de nossa própria rede social.
E nesse mar de conexões, em qual barco você está?

17 de dezembro de 2010

Construindo uma carreira sustentável

Tem sido comum a entrada de um tipo peculiar de mensagens em minha caixa postal. São e-mails vindos de jovens de todas as idades, buscando esclarecimentos e orientações sobre suas opções de carreira.
Às vezes, uma movimentação para uma nova área de atuação, uma abordagem distinta da mesma área. Em outras, os eventuais riscos de uma mudança de empresa, dicas sobre um curso específico, opções entre as diversas escolas do mercado. Enfim, muita gente tem urgência em descobrir o melhor caminho para construção de um futuro profissional mais sustentável.
Nesses casos, talvez a pergunta básica seja traduzida pela busca do caminho das pedras para a maximização entre as dimensões: competitividade, retorno financeiro, ambiente organizacional e auto-realização.
E, como dar uma resposta honesta, viável e incentivadora?
Quem sabe, não seja melhor começar com algumas perguntas provocativas, ao invés de simplesmente respondê-las?
A primeira delas seria: já existe uma visão de médio ou longo prazo?
Será que meu interlocutor consegue se projetar e se visualizar daqui a cinco anos? Se, cinco é muito longe, daqui a dois anos?
Trata-se de um exercício básico, pois a direção a seguir dependerá dessa capacidade.
Para os que não conseguem, é melhor parar, refletir um pouco sobre o presente, buscar compreender melhor suas características, competências, e pontos a melhorar. Avaliar onde suas habilidades são seguidas de resultados, e em que áreas de atuação há reconhecimento dos mesmos por terceiros. Afinal, competência é um conhecimento que se transformou em habilidade, e que teve atitude para se transformar num comportamento reconhecido e observado.
Aqueles que conseguem identificar suas próprias virtudes e suas competências, já andaram a metade do caminho.
E aí, o exercício da visão pode ser retomado.
Tente se ver fazendo aquilo que sua visão projeta. Suas roupas, seus movimentos, seus instrumentos, sua logística, e como é visto pelos outros. Quando essa imagem estiver bem clara em sua mente, é hora de apertar o botão e registrar essa fotografia instantânea.
Com ela em mente, poderá ser iniciado um longo e consistente projeto, com todas as suas fases, que o transformará naquilo que você quer ser no futuro.

CONTINUA

Fonte imagem: Blog Administrando Você

26 de outubro de 2010

Secretárias Sustentáveis

Durante toda a minha carreira, tenho mantido uma relação profissional praticamente contínua com as secretárias, hoje transformadas em competentes assistentes executivas e/ou administrativas.


E, desse relacionamento, onde vários nomes protagonizaram papéis de fundamental importância no sucesso das diversas atividades e projetos em que estive engajado, tenho a consciência e admito espontaneamente ter aprendido muito mais com todas elas, do que as pude ensinar.

Não se trata de uma apologia desnecessária, mas sim de um merecido reconhecimento não tardio, pois esse processo, ainda e felizmente, continua ocorrendo. Aliás, as colegas que conviveram, e ainda convivem comigo, sabem disso.

Não somente competências técnicas, mas também doses generosas de inteligência emocional, equilibradas com conjuntos diferenciados de competências essenciais; esse tem sido o cimento que ajuda a consolidar as carreiras de muitos executivos de sucesso pelo mercado afora. Afinal, o que seria deles, sem o suporte incondicional de suas assessoras?

Mas, creio que já falei demais do passado. Agora, gostaria de investir algum tempo para falar sobre o perfil da assistente executiva do presente e, principalmente, do futuro.

Com um arsenal tão impressionante de novas ferramentas disponibilizadas todos os dias, essas profissionais absorvem, cada vez mais, a gestão de recursos muito valiosos das organizações. E, esse poder de influência transcende a abrangência do executivo a quem elas se reportam.

Contudo, acredito que sua maior responsabilidade no futuro será aplicar esse potencial para disseminação de comportamentos sustentáveis.

Pelo seu exemplo, ela deverá facilitar processos que conduzam a uma gestão sustentável.

Li recentemente, uma definição de liderança atribuída a Einsenhower, que liderar é conseguir fazer com que as pessoas façam o que mais desejam fazer.

E pela capilaridade imensa da rede de relacionamentos internos e externos que as assistentes possuem, não é difícil avaliar a dimensão de sua capacidade para liderar a tomada de pequenas, mas importantes atitudes positivas, empreendedoras, e construtivas dentro de seu ambiente de trabalho.

Essa nova competência talvez seja a melhor forma de materializar a sustentabilidade como algo que pode transformar as assistentes executivas em protagonistas de uma mudança para processos administrativos melhores, com chefes assessorados em alto nível, e ambientes organizacionais muito mais equilibrados.

Afinal, liderança sem poder é a essência da autoridade.

Certamente, elas já tomaram consciência disso. Será mesmo?


Vitor Seravalli

Conheça o blog Secretária para Secretárias!!!

26 de abril de 2010

A Sustentabilidade e o Pacto Global



Algumas pessoas me perguntam se a “Sustentabilidade” é ou não uma palavra que entrou para ficar em nosso vocabulário.

Evidentemente, afirmo que sim. Por outro lado, a alta importância que este tema vem ganhando, traz consigo inicialmente mais desafios do que facilidades. Mas uma coisa é certa, quando falamos da verdadeira sustentabilidade, ou seja: “aquela que busca o melhor atendimento das necessidades atuais, sem prejudicar a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”, os riscos inerentes a tais desafios, são grandes e valiosas oportunidades.

Alguns caminhos na busca dessas oportunidades incluem:


• A busca constante pela inovação e pela criatividade, aliada à competência de implementar rapidamente as mudanças embasadas em estudos profundos de marketing;
• a opção por materiais e energias renováveis;
• a preocupação pela minimização de emissões, e mesmo a capacidade de criar novas opções de reciclagem, etc.
• a valorização de avanços sociais que tratem da inclusão, da educação e da capacitação;
• e principalmente, a integração dos investimentos socioambientais aos objetivos estratégicos dos negócios.

Estas são prioridades que reduzem os impactos socioambientais, promovem redução de custos, e possibilitam preços mais justos em relação aos benefícios que o consumidor receberá.
E, finalmente, promovem a competitividade que os negócios necessitam para permanecerem mais tempo nos mercados.
Mas, qual seria uma forma para materializar esse real compromisso dos empresários com uma sociedade sustentável?
A boa alternativa chama-se Pacto Global, que é uma iniciativa das Nações Unidas, propondo à comunidade empresarial, às agências da ONU e organizações da sociedade civil o desafio de apoiar mundialmente a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, direitos do trabalho, proteção ambiental e combate à corrupção.
O Pacto Global advoga dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. São eles:

Princípios de Direitos Humanos

1. Respeitar e proteger os direitos humanos;

2. Impedir violações de direitos humanos;

Princípios de Direitos do Trabalho

3. Apoiar a liberdade de associação no trabalho;

4. Abolir o trabalho forçado;

5. Abolir o trabalho infantil;

6. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho;


Princípios de Proteção Ambiental

7. Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;

8. Promover a responsabilidade ambiental;

9. Encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.


Princípio contra a Corrupção

10. Combater a corrupção em todas as suas formas inclusive extorsão e propina.


O Pacto Global é um fórum aberto, acessível, que procura atender à participação de um diverso grupo de empresas e demais organizações.
Uma organização que queira se engajar no Pacto Global pode fazê-lo enviando uma carta do principal executivo endereçada ao Secretário-Geral das Nações Unidas, expressando seu apoio à iniciativa Pacto Global e a seus 10 Princípios, bem como o compromisso em desenvolver as seguintes ações:

1. Emitir uma clara declaração de apoio ao Pacto Global e seus dez princípios, e publicamente advogar o Pacto Global. Isso significa:

a) Informar os funcionários, acionistas, consumidores e fornecedores;

b) Integrar o Pacto Global e os dez princípios nos programas de desenvolvimento corporativo e treinamento;

c) Incorporar os princípios do Pacto Global na declaração da missão da empresa;

d) Incluir o compromisso com o Pacto Global no Relatório Anual e em outros documentos publicados pela empresa;

e) Emitir comunicados para a imprensa para tornar o compromisso público.

2. O Pacto Global aconselha as empresas a publicarem anualmente o progresso referente a implementação dos dez princípios. O escritório do Pacto Global auxilia as empresas e coloca a disposição um conjunto de diretrizes para orientar essa comunicação.

No Brasil, o Comitê Brasileiro do Pacto Global, um grupo voluntário representativo de organizações e empresas, tem a missão de disseminar a iniciativa no país e dar suporte para que novas empresas se tornem signatárias.

Para maiores detalhes: http://www.pactoglobal.org.br/

30 de março de 2010

Sustentabilidade, a competência empresarial do presente para o futuro

Atualmente, se algum empresário ainda não se conscientizou sobre a importância dos princípios do desenvolvimento sustentável em seus negócios, há grande probabilidade de que o mesmo não esteja mais no mercado no médio ou longo prazo.
Por outro lado, a grande importância que este tema vem ganhando, traz consigo inicialmente mais desafios do que facilidades. Mas uma coisa é certa, quando falamos da verdadeira sustentabilidade, ou seja: “aquela que busca o melhor atendimento das necessidades atuais, sem prejudicar a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”, os riscos inerentes a tais desafios, são grandes e valiosas oportunidades.
Alguns caminhos na busca dessas oportunidades incluem:
• A busca constante pela inovação e pela criatividade, aliada à competência em implementar rapidamente mudanças embasadas em estudos profundos de marketing;
• a opção por materiais e energias renováveis;
• a integração dos investimentos socioambientais aos objetivos estratégicos dos negócios.
• e finalmente, a valorização dos relacionamentos com os públicos de interesse (Stakeholders)
Estas são prioridades que reduzem os impactos socioambientais, promovem redução de custos, e possibilitam preços mais justos em relação aos benefícios que o consumidor receberá.
E, finalmente, promovem a competitividade que os negócios necessitam para permanecerem mais tempo nos mercados.
Mas, qual seria uma forma para materializar esse real compromisso das empresas e seus profissionais com uma sociedade sustentável?
A resposta está na compreensão da sustentabilidade como uma competência; uma competência organizacional e, principalmente, individual.
Profissionais que incorporem valores, conhecimentos, habilidades e atitudes sustentáveis, terão seu comportamento positivamente percebido pela sociedade, e conduzirão as organizações rumo à sustentabilidade.
No início da última crise mundial, houve uma percepção inicial de que todos os investimentos empresariais em sustentabilidade seriam reduzidos, ou mesmo eliminados, por uma simples questão de prioridade para a sobrevivência dos negócios.
Contudo, algumas pesquisas realizadas por organizações nacionais e internacionais de credibilidade comprovada, constataram que esses investimentos não somente foram mantidos, mas em alguns casos foram até ampliados nas empresas onde a sustentabilidade já está inserida nas suas estratégias.
Ou seja, justamente na crise, o desenvolvimento sustentável se transformou num mecanismo de oportunidade para organizações empresariais.
Isso também vale para profissionais diferenciados, que ao contrário dos pessimistas de plantão, incorporam novas competências, e conquistam mais espaço no mercado de trabalho.
E você? Como percebe esse novo momento? Como um risco ou como uma oportunidade para sua própria sustentabilidade?

 
Vitor Seravalli é Presidente do Comitê Brasileiro do Pacto Global (ONU)


Obs.: este artigo foi publicado na Revista Consciência Ampla nº 3 – Endesa Brasil


18 de fevereiro de 2010

Desenvolvimento Sustentável

Sustentabilidade é uma palavra que vem sendo incorporada ao vocabulário de um número cada vez maior de pessoas ultimamente. Apesar das inúmeras definições e diferentes formas de utilização, o mais importante é o fato de que seu conteúdo e seu significado vêm sendo incluídos, não somente nas estratégias de um grande número de organizações, mas também nos seus posicionamentos de comunicação e, principalmente, em seus modelos de gestão.

Desenvolver-se no presente sem prejudicar as gerações futuras, ou ainda, equilibrar de forma adequada os pilares Econômico, Ambiental e Social, passou a ser, para as corporações, a própria definição de Desenvolvimento Sustentável na sua atuação.

Ainda há, entretanto, muitos aspectos que devem ser compreendidos, incorporados, mudados. A Seravalli Consultoria foi criada para atuar nesse campo, visando contribuir para que empresas, universidades, e outras organizações incorporem essa competência em seus negócios e em seus colaboradores.